Fidalgos e graciosos
a comédia em Portugal do Auto de Filodemo, de Luís de Camões, às óperas de Antônio José da Silva
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.14715230Palavras-chave:
Teatro português, Comédia, Princípio da fantasia, Crítica socialResumo
O princípio da fantasia que move as comédias, tornando-as relativamente independentes das convenções de verossimilhança, aparece de diferentes modos no Auto de Filodemo, de Luís de Camões, na farsa O fidalgo aprendiz, de d. Francisco Manuel de Melo, e nas óperas Vida do grande d. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança e Guerras do alecrim e manjerona, de Antônio José da Silva, peças escritas no Portugal dos séculos XVI a XVIII. Na primeira delas, esse princípio se envolve em aura lendária; na segunda, presta-se à caricatura do cotidiano lisboeta no século XVII; nas duas últimas, rompe sem cerimônia os limites do verossímil. Os textos trazem também atenção crítica a suas respectivas épocas no que toca à condição feminina, às injustiças da Justiça ou à linguagem das elites, objeto de sátira dos graciosos. Podemos adicioná-los a nosso repertório adotando uma perspectiva lusófona em relação a eles, especialmente quanto aos textos de Antônio José da Silva.
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