Dramaturgia para/com as infâncias
uma experiência de quintal - "Brincar, brincar, brincar até a cidade virar brinquedo"
Palavras-chave:
Territórios educadores, Infâncias, Dramaturgia do mundo, Processos colaborativos, Grupo Teatral EsparramaResumo
O objetivo deste artigo é refletir sobre aspectos da criação dramatúrgica (práticos e teóricos) concretizados a partir das experiências de escutas de crianças no contexto do Grupo Teatral Esparrama. Esses processos começaram em um projeto chamado Navegar (2017) e seguiram em desenvolvimento até um dos trabalhos mais recentes, no espetáculo Cidade Brinquedo. O foco dessas criações é a busca por processos colaborativos que desembocaram nas construções dramatúrgicas. Serão articuladas às fundamentações teóricas as imagens poéticas de “quintal” e de “criançamento”, propostas pelo próprio grupo, presentes em dois poemas de Manoel de Barros. A partir dessas reflexões, considera-se, finalmente, que as metáforas oferecidas por Barros oferecem pistas para pensar os conceitos de experiência (Benjamin) e práxis/palavração (Freire). Conclui-se, assim, que o brincar é uma forma de “palavração” das crianças, assim como a escuta sobre o que compreendem da cidade. Assim, transformar a cidade em quintal, através do teatro, é compreendê-la, transformá-la e ser transformado por ela, daí o mote: “brincar, brincar, brincar até cidade virar brinquedo”.
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