A memória como fio condutor na construção de territórios educacionais - tensionamentos entre avaliação e memória no cenário educacional em meio à pandemia do novo coronavírus

Autores

  • Rodrigo Severiano dos Santos Universidade Federal de Alagoas https://orcid.org/0000-0001-9340-1345
  • Angelina Renata Andrade Ribeiro dos Santos Universidade Federal de Alagoas
  • Cinthya Maria de Oliveira Universidade Federal de Alagoas

Palavras-chave:

Educação, Memória, Pandemia, Cartografia, Filosofia

Resumo

O período mais crítico da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, evidenciou fraturas em uma estrutura social já comprometida por conflitos diversos. Na educação, a reinvenção de práticas e de plataformas exigiu de docentes e de gestores a reprogramação de estratégias e a incorporação de ferramentas, antes periféricas, no processo de ensino-aprendizagem. Nos cursos de Comunicação, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), esse movimento se concretizou nas disciplinas Oficina de Texto e Análise e Produção de Texto em Comunicação, ofertadas via Google Sala de Aula. Tais componentes curriculares tornaram-se palco de uma proposta metodológica voltada ao estreitamento de vínculos educativos em meio a barreiras geográficas e emocionais. Esta pesquisa qualitativa tem como objetivo analisar as relações entre formação, avaliação e memória no contexto da crise sanitária, à luz de uma perspectiva dialética e crítica. A produção de textos memorialísticos aula a aula foi adotada como ferramenta de escuta, reflexão e registro, compreendida aqui como um processo cartográfico filosófico em um território educativo híbrido. O memorial elaborado por uma das discentes — coautora deste trabalho — é tomado como corpus empírico, expressando uma experiência autoral e formativa. A metodologia, inspirada em Deleuze e Ricoeur, permite observar a constituição de um entrelugar — físico e virtual — atravessado pela memória como fio condutor. Os resultados apontam que os memoriais potencializaram a escuta sensível, a ressignificação das práticas avaliativas tradicionais e o fortalecimento dos laços afetivos entre docentes e discentes. O estudo destaca ainda que a abordagem narrativa, ao articular memória e avaliação, favorece a autoformação, tornando-se uma via potente de reconstrução identitária em tempos de ruptura.

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Biografia do Autor

  • Rodrigo Severiano dos Santos, Universidade Federal de Alagoas

    Graduado em Letras pela Universidade Federal de Alagoas-UFAL, Especialista em Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde pela UFAL e mestre em Estudos daLinguagem pela UFRPE. Atua como professor voluntário nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas da Ufal, professor de Língua Portuguesa e Literatura no Colégio Maria Montessori e Assistente em Administração nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas - UFAL. Faz parte da equipe de avaliadores de recursos educacionais no âmbito do Programa Nacional de Livro Didáticos (PNLD) e do Laboratório de Estudos em Comunicação, Organizações e Narrativas do Capitalismo (CNPq). Possui experiência nas áreas de Letras, com ênfase em Literatura e Língua Portuguesa, e de Gestão do Trabalho e da Educação, com ênfase em políticas públicas educacionais.

  • Angelina Renata Andrade Ribeiro dos Santos, Universidade Federal de Alagoas

    Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Alagoas (2009) e graduação em Psicologia pelo Centro Universitário CESMAC (2011). Atualmente faz Doutorado em Educação dentro da linha Educação, Culturas e Currículos. Participa do grupo de pesquisa Filosofia e Educação/Ensino de Filosofia. Membro do Grupo de Pesquisa Teoria Crítica, Emancipação e Reconhecimento (TeCER) vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Alagoas, sob supervisão do Prof. Dr. Anderson de Alencar Menezes. É orientadora educacional no Colégio Maria Montessori e Possui interesse em investigar os processos educativos através da atuação em áreas que envolvem ensino e metodologias em Filosofia, estudos de filosofia e cinema, intercessão entre filosofia e psicologia, formação de professores.

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Publicado

21-02-2026

Como Citar

SEVERIANO DOS SANTOS, Rodrigo; ANDRADE RIBEIRO DOS SANTOS, Angelina Renata; OLIVEIRA, Cinthya Maria de. A memória como fio condutor na construção de territórios educacionais - tensionamentos entre avaliação e memória no cenário educacional em meio à pandemia do novo coronavírus. Revista de Educação do Vale do São Francisco, [S. l.], v. 16, n. 38, p. 28, 2026. Disponível em: https://periodicos.univasf.edu.br/index.php/revasf/article/view/3084. Acesso em: 3 mar. 2026.