Reestruturação produtiva e educação: determinações para a forma escolar no capitalismo contemporâneo
Palavras-chave:
Reestruturação produtiva do capital, Educação, EscolaResumo
O sistema capitalista de produção é marcado por crises. No final da década de 1960 e no início dos anos 1970, materializava-se a crise orgânica/estrutural desse sistema. Desde então, o capital passa por um processo de recomposição burguesa a fim de garantir a acumulação, o que provoca efeitos em diversas esferas da sociedade. Diante disso, elencam-se os seguintes problemas: a) quais foram as repercussões do processo de reorganização produtiva do capital nos campos escolar e educacional? b) como se materializa a dimensão pedagógica nesse contexto? c) como a reorganização produtiva do capital pauta a função da escola e da educação? Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo compreender os rebatimentos da reestruturação produtiva do capital na reconfiguração da escola. Em termos metodológicos, adotou-se a abordagem qualitativa de pesquisa, no formato de revisão narrativa da literatura científica, com foco em artigos, livros e produções selecionadas na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), à luz do Materialismo Histórico-Dialético (Costa, 2019; Esteves, 2020; Goes, 2016; Nascimento, 2016; Finamor Neto, 2016; Silva, 2017). Os resultados do trabalho apontam o processo de formação dos trabalhadores de novo tipo, a redefinição/taylorização da escola por meio dos padrões fabris e empresariais, a intensificação e precarização do trabalho docente e o esvaziamento dos conteúdos historicamente construídos pela humanidade na formação da classe trabalhadora. Conclui-se destacando a necessidade de investigações sobre a realidade educacional para além da aparência.
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